- O IMT diz que estas cartas não têm validade legal e não constam dos seus registos (avisos de 2023 e 2024).
- O artigo 256.º do Código Penal pune o uso e a detenção de documento falsificado, não só o fabrico.
- No caso da PJ de 2022, além do principal suspeito, os outros detidos responderam por condução ilegal.
Porque a falsa acaba por ser descoberta
A carta verdadeira existe em dois sítios: na mão do condutor e nos registos do IMT, acessíveis às entidades de fiscalização. A falsa só existe na mão. Basta um agente consultar o registo, numa fiscalização ou depois de um acidente, e a diferença surge. O aspeto do cartão é o que menos conta.
As consequências, uma a uma
| Âmbito | O que as fontes dizem |
|---|---|
| Penal | Artigo 256.º, n.º 1: prisão até três anos ou multa para quem usar ou detiver documento falsificado com intenção de obter benefício ilegítimo ou causar prejuízo; tentativa punível. N.º 3: seis meses a cinco anos ou multa de 60 a 600 dias para documento autêntico ou de igual força. Tetos, não penas habituais. |
| Condução | Decreto-Lei n.º 2/98, art. 3.º: sem habilitação legal, prisão até um ano ou 120 dias de multa; automóvel ou motociclo, até dois anos ou 240 dias de multa. |
| A carta verdadeira | Quem apresentar documentos falsos ou falsas declarações num exame tem as provas anuladas, perde as taxas pagas e fica sujeito a procedimento criminal (Regulamento da Habilitação Legal para Conduzir, art. 41.º, n.º 4). |
| Trabalho | Os motoristas de TVDE foram citados pela imprensa como alvo dos esquemas. Não encontrámos fonte oficial sobre sanções laborais ou da plataforma, por isso não as descrevemos. |
| Identidade | Quem enviou cartão de cidadão e fotografia para «preparar o registo» deixou dados em mãos desconhecidas. O sistema de Queixa Eletrónica da GNR e da PSP tem uma categoria para o uso indevido de documentos de identificação. |
Estes são tetos (verificado a 5 de outubro de 2026). O que acontece num caso concreto depende dos factos, dos antecedentes e do juiz.
Casos que abrimos
- PJ, outubro de 2022. Rede que falsificava cartas e cartões de cidadão. Ao principal suspeito foram imputados 32 crimes de falsificação agravada, 14 de tráfico de influência e 12 de burla qualificada; os documentos eram vendidos por até 1500 euros, e o suspeito chegou a fazer-se passar por inspetor do SEF junto de estrangeiros.
- GNR, maio de 2023. Segundo a imprensa, repetiu o que o IMT diz: pagar por cartas falsas e emiti-las são crimes puníveis por lei.
- IMT, novembro de 2023. Alerta com a frase que resume o problema: a segurança de todos está em causa.
Como saber se uma carta é verdadeira
Não encontrámos um serviço público de consulta para terceiros, e por isso não indicamos nenhum. O titular de uma carta verdadeira confirma os seus dados no IMT, pelo balcão ou pelo IMTonline, com identificação. Quem recebeu um cartão duvidoso deve perguntar ao IMT ou à polícia, e não a quem o entregou. Mais em verificações oficiais.
O que não sabemos
Não encontrámos fonte oficial sobre as consequências para o seguro automóvel de quem conduz com uma carta falsa. Pergunte à sua seguradora ou a um advogado.
Se já comprou uma, veja primeiro o que fazer e fale com um advogado antes de dar qualquer passo, porque o uso do cartão pode ter consequências próprias.
Perguntas frequentes
É crime usar uma carta de condução falsa?
O artigo 256.º do Código Penal pune o uso e a detenção de documento falsificado, com prisão até três anos ou multa no n.º 1. O IMT afirma que obter e emitir cartas falsas são crimes.
A carta falsa «registada» passa numa fiscalização?
O IMT diz que estas cartas não constam dos seus registos, acessíveis às entidades de fiscalização. Não há registo feito por vendedores.
Como saber se a carta de condução é verdadeira?
Não encontrámos consulta pública para terceiros. O titular confirma os dados no IMT, pelo balcão ou pelo IMTonline. Perante um cartão duvidoso, pergunte ao IMT ou à polícia.
Conduzir com carta falsa é crime?
Equivale a conduzir sem habilitação legal, previsto no artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 2/98: até um ano ou 120 dias de multa, e até dois anos ou 240 dias se for automóvel ou motociclo, como máximos.
Posso entregar a carta falsa sem consequências?
Não lhe podemos garantir isso. Fale com um advogado antes e depois apresente queixa pela burla.
Quem compra uma carta falsa é vítima ou arguido?
Pode ser as duas coisas ao mesmo tempo, e quem decide é o tribunal. O IMT diz que pagar por uma carta falsa é crime. Por isso, ouça um advogado antes de apresentar queixa.
Fontes e ligações oficiais
- IMT: Alerta fraude, carta de condução (28 de novembro de 2023)
- IMT: aviso sobre sistemas fraudulentos (26 de julho de 2024, reproduzido no Portal da Queixa)
- Código Penal, artigos 217.º, 255.º e 256.º (Diário da República)
- Decreto-Lei n.º 2/98, artigo 3.º: condução sem habilitação legal (Diário da República)
- Regulamento da Habilitação Legal para Conduzir, Decreto-Lei n.º 138/2012 (texto consolidado, versão de 24-12-2021)
- Observador: PJ detém principal suspeito de esquema de falsificação de cartas de condução (19 de outubro de 2022)
- Pplware: cartas de condução falsas à venda no Facebook por 200 euros (27 de maio de 2023)
- Queixa Eletrónica (GNR e PSP): outras formas de reportar determinados tipos de crime